9. Matemática Financeira, Estatística e Raciocínio Lógico

FP: alta | PE: alto | PR 2

9.1 Matemática financeira

Matemática financeira estuda o valor do dinheiro no tempo. Em concursos fiscais, ela aparece em questões de juros, descontos, taxas, financiamentos, amortização, valor presente, valor futuro, análise de investimentos e comparação de alternativas financeiras.

A ideia central é: dinheiro hoje não vale o mesmo que dinheiro no futuro, porque existe juros, inflação, risco, oportunidade de investimento e custo do capital.


9.1.1 Regra de três simples

Regra de três simples é usada quando há relação entre duas grandezas.

Ela pode ser:

Diretamente proporcional: quando uma aumenta, a outra também aumenta.

Inversamente proporcional: quando uma aumenta, a outra diminui.

Exemplo resolvido:

Se 5 fiscais analisam 100 processos em um dia, quantos processos 8 fiscais analisam no mesmo ritmo?

5 fiscais → 100 processos
8 fiscais → x processos

Como mais fiscais analisam mais processos, a relação é direta.

5 / 8 = 100 / x
5x = 800
x = 160

Resposta: 8 fiscais analisam 160 processos.

Para prova, grave: na regra de três simples, primeiro descubra se a relação é direta ou inversa.


9.1.2 Regra de três composta

Regra de três composta envolve três ou mais grandezas.

Exemplo resolvido:

4 servidores digitam 240 autos em 6 dias. Quantos autos 6 servidores digitam em 10 dias, no mesmo ritmo?

4 servidores → 6 dias → 240 autos
6 servidores → 10 dias → x autos

Mais servidores aumentam a produção.
Mais dias aumentam a produção.

Relações diretas.

x = 240 × 6/4 × 10/6
x = 240 × 1,5 × 1,666...
x = 600

Resposta: 6 servidores digitam 600 autos em 10 dias.

Para prova, grave: na composta, compare cada grandeza separadamente com a grandeza procurada.


9.1.3 Porcentagens

Porcentagem é uma razão com denominador 100.

10% significa 10 em cada 100.
25% significa 25 em cada 100.
100% representa o todo.

Exemplo resolvido:

Um débito tributário é de R$ 2.000,00. A multa é de 15%. Qual o valor da multa?

15% de 2.000 = 0,15 × 2.000
= 300

Resposta: R$ 300,00.

Para prova, grave: porcentagem é fração de 100; 15% é 0,15.


9.1.4 Variação percentual

Variação percentual mede quanto um valor aumentou ou diminuiu em relação ao valor inicial.

Fórmula:

Variação percentual = diferença / valor inicial × 100

Exemplo resolvido:

A arrecadação passou de R$ 800.000,00 para R$ 1.000.000,00. Qual foi o aumento percentual?

Diferença = 1.000.000 − 800.000
Diferença = 200.000

Variação = 200.000 / 800.000 × 100
Variação = 0,25 × 100
Variação = 25%

Resposta: aumento de 25%.

Para prova, grave: a base da variação percentual é sempre o valor inicial.


9.1.5 Acréscimos e descontos

Acréscimo aumenta o valor original.

Desconto reduz o valor original.

Para acréscimo de p%:

Valor final = valor inicial × (1 + p)

Para desconto de p%:

Valor final = valor inicial × (1 − p)

Exemplo resolvido de acréscimo:

Um valor de R$ 500,00 sofre acréscimo de 20%.

Valor final = 500 × 1,20
Valor final = 600

Resposta: R$ 600,00.

Exemplo resolvido de desconto:

Um produto de R$ 800,00 recebe desconto de 15%.

Valor final = 800 × 0,85
Valor final = 680

Resposta: R$ 680,00.

Pegadinha comum: dois descontos sucessivos de 10% não equivalem a desconto único de 20%.

Exemplo:

100 com desconto de 10% vira 90.
90 com novo desconto de 10% vira 81.

Desconto total = 19%, não 20%.

Para prova, grave: acréscimos e descontos sucessivos são multiplicativos, não simplesmente somados.


9.1.6 Juros simples

Juros simples são calculados sempre sobre o capital inicial.

Fórmulas:

J = C × i × n

M = C + J

M = C × (1 + i × n)

Onde:

C é capital.
i é taxa.
n é tempo.
J é juros.
M é montante.

Exemplo resolvido:

Capital de R$ 1.000,00 aplicado a juros simples de 2% ao mês por 5 meses.

J = 1.000 × 0,02 × 5
J = 100

M = 1.000 + 100
M = 1.100

Resposta: juros de R$ 100,00 e montante de R$ 1.100,00.

Para prova, grave: em juros simples, os juros não geram novos juros.


9.1.7 Juros compostos

Juros compostos são calculados sobre o montante acumulado. É o regime de “juros sobre juros”.

Fórmula:

M = C × (1 + i)ⁿ

Onde:

M é montante.
C é capital.
i é taxa por período.
n é número de períodos.

Exemplo resolvido:

Capital de R$ 1.000,00 aplicado a 10% ao mês por 2 meses.

M = 1.000 × (1 + 0,10)²
M = 1.000 × 1,10²
M = 1.000 × 1,21
M = 1.210

Juros = 1.210 − 1.000
Juros = 210

Resposta: montante de R$ 1.210,00 e juros de R$ 210,00.

Para prova, grave: em juros compostos, o capital cresce exponencialmente.


9.1.8 Capitalização

Capitalização é o processo de transformar um valor presente em valor futuro pela incidência de juros.

Pode ocorrer em regime simples ou composto.

Na capitalização simples:

M = C × (1 + i × n)

Na capitalização composta:

M = C × (1 + i)ⁿ

Exemplo resolvido:

R$ 2.000,00 aplicados a 5% ao mês por 3 meses.

Capitalização simples:

M = 2.000 × (1 + 0,05 × 3)
M = 2.000 × 1,15
M = 2.300

Capitalização composta:

M = 2.000 × 1,05³
M = 2.000 × 1,157625
M = 2.315,25

Resposta: no regime simples, R$ 2.300,00; no composto, R$ 2.315,25.

Para prova, grave: capitalizar é levar dinheiro do presente para o futuro.


9.1.9 Desconto simples

Desconto simples é a antecipação de um valor futuro para uma data anterior, usando taxa simples.

Ele pode ser racional ou comercial.

A ideia é: alguém tem um título que venceria no futuro, mas quer antecipar o recebimento. Por isso, recebe hoje um valor menor.

Termos importantes:

Valor nominal: valor futuro do título.

Valor atual: valor recebido hoje.

Desconto: diferença entre valor nominal e valor atual.

Para prova, grave: desconto é o abatimento por antecipar um valor futuro.


9.1.10 Desconto composto

Desconto composto é a antecipação de um valor futuro usando regime composto.

Pode ser racional composto ou comercial composto.

No desconto racional composto:

A = N / (1 + i)ⁿ

Onde:

A é valor atual.
N é valor nominal.
i é taxa.
n é prazo.

Exemplo resolvido:

Um título de R$ 1.210,00 vence em 2 meses. A taxa é 10% ao mês. Qual o valor atual pelo desconto racional composto?

A = 1.210 / 1,10²
A = 1.210 / 1,21
A = 1.000

Resposta: R$ 1.000,00.

Para prova, grave: desconto composto é o caminho inverso dos juros compostos.


9.1.11 Desconto racional

Desconto racional, também chamado de desconto “por dentro”, calcula o desconto sobre o valor atual.

No desconto racional simples:

A = N / (1 + i × n)

D = N − A

Exemplo resolvido:

Um título de R$ 1.100,00 vence em 5 meses. A taxa de desconto racional simples é 2% ao mês. Qual o valor atual?

A = 1.100 / (1 + 0,02 × 5)
A = 1.100 / 1,10
A = 1.000

D = 1.100 − 1.000
D = 100

Resposta: valor atual de R$ 1.000,00 e desconto de R$ 100,00.

Para prova, grave: desconto racional calcula “por dentro”, a partir do valor atual.


9.1.12 Desconto comercial

Desconto comercial, também chamado de desconto “por fora”, calcula o desconto sobre o valor nominal.

No desconto comercial simples:

D = N × d × n

A = N − D

Ou:

A = N × (1 − d × n)

Exemplo resolvido:

Um título de R$ 1.100,00 vence em 5 meses. A taxa de desconto comercial simples é 2% ao mês.

D = 1.100 × 0,02 × 5
D = 110

A = 1.100 − 110
A = 990

Resposta: valor atual de R$ 990,00 e desconto de R$ 110,00.

Comparação importante:

No mesmo título e na mesma taxa, o desconto comercial simples gera valor atual menor que o desconto racional simples.

Para prova, grave: desconto comercial calcula “por fora”, sobre o valor nominal.


9.1.13 Taxas de juros

Taxa de juros é a remuneração do capital em determinado período.

Ela pode ser mensal, anual, diária, trimestral, semestral ou em outro intervalo.

Exemplos:

2% ao mês.
12% ao ano.
1% ao dia.
6% ao semestre.

Cuidado essencial: a taxa e o prazo devem estar na mesma unidade.

Se a taxa é mensal, o tempo deve estar em meses.
Se a taxa é anual, o tempo deve estar em anos.

Exemplo resolvido:

Capital de R$ 1.000,00 a 3% ao mês por 1 ano em juros simples.

1 ano = 12 meses.

J = 1.000 × 0,03 × 12
J = 360

Resposta: R$ 360,00 de juros.

Para prova, grave: taxa e tempo precisam conversar na mesma unidade.


9.1.14 Taxa nominal

Taxa nominal é uma taxa declarada para determinado período, mas com capitalização em período menor.

Exemplo: 24% ao ano com capitalização mensal.

Isso significa que a taxa nominal anual será dividida pelos 12 meses:

24% ao ano / 12 = 2% ao mês.

Mas a taxa efetiva anual não será 24%, porque haverá juros compostos mês a mês.

Para prova, grave: taxa nominal é declarada em um período, mas capitalizada em outro.


9.1.15 Taxa efetiva

Taxa efetiva é a taxa que realmente representa o ganho ou custo em determinado período, considerando a capitalização.

Exemplo resolvido:

Taxa nominal de 24% ao ano, capitalizada mensalmente.

Taxa mensal = 24% / 12
Taxa mensal = 2% ao mês.

Taxa efetiva anual:

i efetiva = (1 + 0,02)¹² − 1
i efetiva = 1,02¹² − 1
i efetiva ≈ 1,26824 − 1
i efetiva ≈ 0,26824

Resposta: aproximadamente 26,82% ao ano.

Para prova, grave: taxa efetiva considera a capitalização real.


9.1.16 Taxas equivalentes

Taxas equivalentes são taxas em períodos diferentes que produzem o mesmo montante no regime composto.

Fórmula:

1 + i maior = (1 + i menor)ⁿ

Exemplo resolvido:

Qual a taxa anual equivalente a 2% ao mês?

1 + ia = 1,02¹²
ia = 1,02¹² − 1
ia ≈ 0,26824

Resposta: 26,82% ao ano.

Para prova, grave: em juros compostos, taxas equivalentes não são obtidas por simples multiplicação.


9.1.17 Taxas proporcionais

Taxas proporcionais são calculadas por multiplicação ou divisão direta, típicas do regime de juros simples.

Exemplo:

24% ao ano é proporcional a 2% ao mês, porque:

24% / 12 = 2%

Em juros simples, 2% ao mês por 12 meses equivale a 24% ao ano.

Mas em juros compostos, 2% ao mês equivale a aproximadamente 26,82% ao ano.

Para prova, grave: taxa proporcional é de juros simples; taxa equivalente é de juros compostos.


9.1.18 Rendas uniformes

Rendas uniformes são séries de pagamentos iguais, feitos em intervalos regulares.

Exemplo:

R$ 500,00 por mês durante 12 meses.

Prestação fixa de financiamento.

Depósito mensal constante.

Pagamento mensal de uma dívida.

Fórmula do valor presente de uma renda uniforme postecipada:

VP = PMT × [1 − (1 + i)⁻ⁿ] / i

Fórmula do valor futuro:

VF = PMT × [(1 + i)ⁿ − 1] / i

Exemplo resolvido:

Qual o valor presente de 3 pagamentos mensais de R$ 100,00, com taxa de 10% ao mês?

VP = 100 × [1 − (1,10)⁻³] / 0,10

1,10³ = 1,331
(1,10)⁻³ = 1 / 1,331 ≈ 0,7513

VP = 100 × [1 − 0,7513] / 0,10
VP = 100 × 0,2487 / 0,10
VP = 100 × 2,487
VP = 248,70

Resposta: aproximadamente R$ 248,70.

Para prova, grave: renda uniforme tem pagamentos iguais e periódicos.


9.1.19 Rendas variáveis

Rendas variáveis são séries de pagamentos com valores diferentes ao longo do tempo.

Exemplo:

Ano 1: R$ 1.000,00
Ano 2: R$ 1.500,00
Ano 3: R$ 2.000,00

Nesse caso, não se usa diretamente a fórmula de renda uniforme. Cada fluxo deve ser trazido a valor presente ou levado a valor futuro individualmente.

Exemplo resolvido:

Recebimentos de R$ 100,00 no mês 1 e R$ 121,00 no mês 2, com taxa de 10% ao mês. Qual o valor presente?

VP = 100 / 1,10 + 121 / 1,10²
VP = 90,91 + 121 / 1,21
VP = 90,91 + 100
VP = 190,91

Resposta: R$ 190,91.

Para prova, grave: em rendas variáveis, calcule cada fluxo separadamente.


9.1.20 Séries de pagamentos

Séries de pagamentos são sequências de entradas ou saídas de dinheiro ao longo do tempo.

Podem ser:

Uniformes ou variáveis.

Antecipadas ou postecipadas.

Finitas ou perpétuas.

Crescentes ou constantes.

Uma série postecipada tem pagamentos ao final de cada período.

Uma série antecipada tem pagamentos no início de cada período.

Exemplo: aluguel pago no início do mês é renda antecipada. Parcela de financiamento paga ao fim do período normalmente é postecipada.

Para prova, grave: série de pagamentos é fluxo de caixa distribuído no tempo.


9.1.21 Sistemas de amortização

Sistemas de amortização são formas de pagar uma dívida ao longo do tempo.

Cada prestação normalmente tem duas partes:

Juros: remuneração pelo uso do capital.

Amortização: redução efetiva do saldo devedor.

Prestação = juros + amortização.

Os sistemas mais cobrados são:

Sistema Price.

Sistema SAC.

Para prova, grave: juros remuneram o saldo devedor; amortização reduz a dívida.


9.1.22 Sistema Price

Sistema Price é o sistema de prestações constantes.

Nele, a prestação é fixa, mas a composição muda ao longo do tempo.

No começo, a parcela tem mais juros e menos amortização.

Com o passar do tempo, os juros diminuem e a amortização aumenta.

Fórmula da prestação:

PMT = PV × i / [1 − (1 + i)⁻ⁿ]

Exemplo resolvido:

Financiamento de R$ 1.000,00 em 2 parcelas mensais, taxa de 10% ao mês.

PMT = 1.000 × 0,10 / [1 − (1,10)⁻²]

1,10² = 1,21
(1,10)⁻² = 1 / 1,21 ≈ 0,8264

PMT = 100 / [1 − 0,8264]
PMT = 100 / 0,1736
PMT ≈ 576,19

Tabela simplificada:

Primeira parcela:
Juros = 1.000 × 10% = 100
Amortização = 576,19 − 100 = 476,19
Saldo = 1.000 − 476,19 = 523,81

Segunda parcela:
Juros = 523,81 × 10% = 52,38
Amortização = 576,19 − 52,38 = 523,81
Saldo = 0

Resposta: prestação constante de aproximadamente R$ 576,19.

Para prova, grave: Price tem prestação constante, juros decrescentes e amortização crescente.


9.1.23 Sistema SAC

SAC significa Sistema de Amortização Constante.

Nele, a amortização é sempre igual.

Como o saldo devedor diminui, os juros também diminuem. Por isso, as prestações são decrescentes.

Exemplo resolvido:

Financiamento de R$ 1.000,00 em 2 parcelas mensais, taxa de 10% ao mês.

Amortização constante:

Amortização = 1.000 / 2
Amortização = 500

Primeira parcela:
Juros = 1.000 × 10% = 100
Prestação = 500 + 100 = 600
Saldo = 1.000 − 500 = 500

Segunda parcela:
Juros = 500 × 10% = 50
Prestação = 500 + 50 = 550
Saldo = 0

Resposta: prestações de R$ 600,00 e R$ 550,00.

Para prova, grave: SAC tem amortização constante e prestação decrescente.


9.1.24 Custo efetivo de operações financeiras

Custo efetivo é o custo real de uma operação financeira, considerando não apenas a taxa de juros, mas também tarifas, encargos, tributos, seguros, taxas administrativas e outros custos.

Exemplo:

Um empréstimo anuncia juros de 2% ao mês, mas cobra taxa de abertura de crédito, seguro e tarifa mensal. O custo efetivo total será maior que 2% ao mês.

Em operações financeiras, o custo efetivo é mais importante que a taxa “de propaganda”, porque mostra o custo real pago pelo tomador.

Para prova, grave: custo efetivo considera todos os encargos da operação, não só os juros.


9.1.25 Valor presente

Valor presente é o valor de hoje equivalente a um valor futuro, descontado por uma taxa.

Fórmula em juros compostos:

VP = VF / (1 + i)ⁿ

Exemplo resolvido:

Quanto vale hoje R$ 1.210,00 a receber em 2 meses, considerando taxa de 10% ao mês?

VP = 1.210 / 1,10²
VP = 1.210 / 1,21
VP = 1.000

Resposta: R$ 1.000,00.

Para prova, grave: valor presente traz dinheiro futuro para hoje.


9.1.26 Valor futuro

Valor futuro é o valor que um capital de hoje terá em uma data futura após capitalização.

Fórmula:

VF = VP × (1 + i)ⁿ

Exemplo resolvido:

Quanto valerá R$ 1.000,00 em 2 meses, a 10% ao mês?

VF = 1.000 × 1,10²
VF = 1.000 × 1,21
VF = 1.210

Resposta: R$ 1.210,00.

Para prova, grave: valor futuro leva dinheiro de hoje para o futuro.


9.1.27 Valor presente líquido

Valor presente líquido, ou VPL, é a soma dos valores presentes dos fluxos futuros menos o investimento inicial.

Fórmula geral:

VPL = soma dos fluxos descontados − investimento inicial

Se o VPL for positivo, o projeto gera valor acima da taxa exigida.

Se o VPL for negativo, o projeto não cobre a taxa exigida.

Se o VPL for zero, o projeto empata com a taxa exigida.

Exemplo resolvido:

Investimento inicial de R$ 1.000,00. Recebimentos de R$ 600,00 no ano 1 e R$ 600,00 no ano 2. Taxa mínima desejada de 10% ao ano.

VPL = −1.000 + 600 / 1,10 + 600 / 1,10²
VPL = −1.000 + 545,45 + 495,87
VPL = 41,32

Resposta: VPL positivo de R$ 41,32. O investimento é atrativo à taxa de 10% ao ano.

Para prova, grave: VPL positivo aceita; VPL negativo rejeita, considerando a taxa mínima exigida.


9.1.28 Taxa interna de retorno

Taxa interna de retorno, ou TIR, é a taxa que zera o VPL de um projeto.

Em outras palavras, é a rentabilidade interna estimada do investimento.

Se a TIR for maior que a taxa mínima de atratividade, o projeto tende a ser aceito.

Se a TIR for menor, tende a ser rejeitado.

Exemplo resolvido:

Investimento inicial de R$ 1.000,00. Recebimentos de R$ 600,00 no ano 1 e R$ 600,00 no ano 2.

A TIR é a taxa r que satisfaz:

0 = −1.000 + 600 / (1 + r) + 600 / (1 + r)²

A taxa aproximada é 13,07% ao ano.

Isso significa que, se a taxa mínima exigida for 10%, o projeto é atrativo. Se a taxa mínima exigida for 15%, o projeto não é atrativo.

Para prova, grave: TIR é a taxa que faz o VPL ser zero.


9.1.29 Avaliação de alternativas de investimento

Avaliar alternativas de investimento significa comparar projetos, aplicações ou opções financeiras para decidir qual é mais vantajosa.

Critérios comuns:

Valor presente líquido.

Taxa interna de retorno.

Valor futuro.

Payback.

Risco.

Liquidez.

Custo de oportunidade.

Taxa mínima de atratividade.

Custo efetivo.

Prazo.

Em prova, o VPL costuma ser mais seguro para comparar projetos, especialmente quando os fluxos são diferentes.

Exemplo resolvido:

Projeto A exige investimento de R$ 1.000,00 e gera valor presente dos recebimentos de R$ 1.200,00.

VPL A = 1.200 − 1.000
VPL A = 200

Projeto B exige investimento de R$ 1.000,00 e gera valor presente dos recebimentos de R$ 1.150,00.

VPL B = 1.150 − 1.000
VPL B = 150

Resposta: pelo critério do VPL, o Projeto A é melhor, pois gera R$ 200,00 de valor líquido, contra R$ 150,00 do Projeto B.

Para prova, grave: ao comparar alternativas, escolha a que gera maior valor, respeitando risco, prazo e taxa mínima exigida.


Como isso costuma cair em concursos fiscais

Em concursos fiscais, matemática financeira costuma cair com cálculo direto e pegadinhas de interpretação.

A banca pode perguntar regra de três. Primeiro identifique se a relação é direta ou inversa.

Pode perguntar porcentagem. Transforme percentual em número decimal.

Pode perguntar variação percentual. Use sempre o valor inicial como base.

Pode perguntar juros simples e compostos. Juros simples incidem sobre o capital inicial. Juros compostos incidem sobre o montante acumulado.

Pode perguntar desconto racional e comercial. Racional é por dentro. Comercial é por fora.

Pode perguntar taxa nominal e efetiva. Nominal é declarada; efetiva considera capitalização.

Pode perguntar taxa proporcional e equivalente. Proporcional é usada em juros simples. Equivalente é usada em juros compostos.

Pode perguntar Price e SAC. Price tem prestação constante. SAC tem amortização constante e prestação decrescente.

Pode perguntar valor presente e valor futuro. Valor presente traz para hoje. Valor futuro leva para frente.

Pode perguntar VPL e TIR. VPL positivo indica atratividade; TIR é a taxa que zera o VPL.


Síntese para revisão

Regra de três simples relaciona duas grandezas.

Regra de três composta relaciona três ou mais grandezas.

Porcentagem é razão sobre 100.

Variação percentual usa o valor inicial como base.

Acréscimos e descontos sucessivos são multiplicativos.

Juros simples incidem sobre o capital inicial.

Juros compostos incidem sobre o montante acumulado.

Capitalização leva valor presente para o futuro.

Desconto traz valor futuro para o presente.

Desconto racional é por dentro.

Desconto comercial é por fora.

Taxa de juros deve estar na mesma unidade do prazo.

Taxa nominal é declarada com capitalização em período diferente.

Taxa efetiva mostra o efeito real da capitalização.

Taxas equivalentes produzem o mesmo montante em juros compostos.

Taxas proporcionais são usadas em juros simples.

Rendas uniformes têm pagamentos iguais e periódicos.

Rendas variáveis têm fluxos diferentes.

Séries de pagamentos são fluxos ao longo do tempo.

Sistemas de amortização dividem a dívida em juros e amortização.

Price tem prestação constante.

SAC tem amortização constante.

Custo efetivo considera todos os encargos.

Valor presente traz dinheiro futuro para hoje.

Valor futuro leva dinheiro de hoje para o futuro.

VPL mede o valor líquido de um projeto descontado à taxa exigida.

TIR é a taxa que zera o VPL.

Avaliação de investimentos compara alternativas por valor, retorno, risco, prazo e custo de oportunidade.

Para prova, grave a frase-chave: juros simples somam, juros compostos multiplicam; desconto racional é por dentro, comercial é por fora; taxa nominal promete, efetiva realiza; Price parcela igual, SAC amortiza igual; VP traz para hoje, VF leva para o futuro, VPL mede valor criado e TIR é a taxa de empate do investimento.

9.2 Estatística descritiva

FP: alta | PE: alto | PR 2

Estatística descritiva é a parte da estatística que organiza, resume, apresenta e interpreta dados. Ela não busca, inicialmente, provar hipóteses complexas ou fazer previsões profundas. Seu objetivo principal é descrever o conjunto de dados, mostrando padrões, tendências, concentração, dispersão, valores extremos e comportamento geral.

Em concursos fiscais, estatística descritiva aparece em questões sobre população, amostra, variáveis, tabelas, gráficos, frequências, média, mediana, moda, quartis, percentis, variância, desvio padrão, coeficiente de variação, assimetria, curtose e análise exploratória.

A ideia central é: estatística descritiva transforma dados brutos em informação organizada, permitindo entender o que os dados mostram antes de qualquer inferência ou decisão.


9.2.1 População e amostra

População é o conjunto completo de elementos que se deseja estudar.

Amostra é uma parte da população, selecionada para análise.

Exemplo fiscal:

Se o objetivo é estudar todos os contribuintes ativos do Distrito Federal, a população é o conjunto de todos esses contribuintes.

Se forem selecionados apenas 1.000 contribuintes para análise, esses 1.000 formam a amostra.

A população pode ser finita ou infinita. Em concursos, normalmente trabalhamos com populações finitas, como servidores, processos, empresas, notas fiscais, pagamentos ou declarações.

Para prova, grave: população é o todo; amostra é uma parte do todo.

Exemplo resolvido:

Uma Secretaria de Fazenda possui 200.000 contribuintes cadastrados. Uma auditoria seleciona 2.000 contribuintes para verificar inconsistências.

População: 200.000 contribuintes.
Amostra: 2.000 contribuintes selecionados.

Resposta: a população é o conjunto total; a amostra é o subconjunto analisado.


9.2.2 Variáveis

Variável é uma característica observada nos elementos da população ou da amostra.

Exemplos:

Idade.

Renda.

Valor de nota fiscal.

Quantidade de notas emitidas.

Município.

Regime tributário.

Situação cadastral.

Valor pago de imposto.

As variáveis podem ser qualitativas ou quantitativas.

Variáveis qualitativas representam categorias.
Exemplo: sexo, município, regime tributário, situação cadastral, setor econômico.

Variáveis quantitativas representam números.
Exemplo: idade, renda, valor de tributo, quantidade de notas, faturamento.

As quantitativas podem ser:

Discretas: resultam de contagem.
Exemplo: número de autos de infração, quantidade de notas emitidas.

Contínuas: resultam de medição.
Exemplo: peso, altura, tempo, valor monetário, faturamento.